24 jan 2020 | 12:32:19

Empire Maker: o marco da Juddmonte na América

Desaparecido aos 20 anos, filho de Unbridled representou a afirmação, definitiva, do Príncipe Khalid Abdullah, na criação norte-americano.

Empire Maker: impactante na criação norte-americana do século XXI.

Imagem: Racing Post/Gainesway

A notícia do desaparecimento de Empire Maker ganhou as linhas e páginas dos noticiários turfísticos, além-mares. A campanha, desde cedo chamativa. Seu desempenho como garanhão, idem. Ocorre que sua idiossincrasia supera, no todo, esses dois vetores. Ao fim e ao cabo, morreu, aos 20 anos, o garanhão que consagrou a criação da Juddmonte Farms, também, em solo norte-americano.

Para bem da verdade, fato é que que as marcas assertivas, na trajetória de Empire Maker, tiveram início, antes mesmo, do seu nascimento. Para a sua concepção, utilizaram Unbridled para encher a fantástica Toussaud (El Gran Senor). Múltipla ganhadora clássica entre Grã-Bretanha e Estados Unidos (incluindo o G1 do Gamely Handicap), firmou-se como uma das melhores corredoras já criadas, pela Juddmonte, em sua base, no Kentucky.

Na reprodução, antes do surgimento de Empire Maker, Toussaud já havia revelado outros 3 ganhadores individuais de G1: Chester House, Chiselling e Honest Lady. Há na sua produção, ainda, o ganhador de G2, Decarchy. E detalhe: todos os 5 ganhadores clássicos por ela produzidos – incluído na conta, Empire Maker – gerados a partir de 5 garanhões diferentes.

Mãe de Empire Maker, Toussaud produziu 5 ganhadores clássicos, sendo 3 de G1. 

Imagem: Anne Erbhardt/Blood Horse

Empire Maker estreou ao final de 2002, aos 2 anos, numa eliminatória, em Belmont Park. Passou intacto, pela milha, na raia de areia, vingando com uma pule de 1,80 e abrindo 3 corpos e ¼ à frente do segundo colocado. Na atuação seguinte, foi o terceiro no Ramsen Stakes (gr.III), em Aqueduct.

Viajou, então, para a Califórnia, onde iniciou sua campanha de 3 anos, com um segundo lugar no Sham Stakes, em Santa Anita. Na sequência, novo itinerário: embarcado para a Flórida, deu um show no Florida Derby (gr.I), em Gulfstream Park, ocasião na qual superou Trust N Luck pela margem de 9 corpos e ¾. De volta à Nova York, venceria outro G1, mas não com a mesma folga. No galão decisivo do Wood Memorial Stakes (gr.I), em Aqueduct, sacou ½ corpo de vantagem sobre um “tal” de Funny Cide.

Com duas vitórias consecutivas, em preparatórias do Kentucky Derby (gr.I), Empire Maker chegou em Churchill Downs na condução de favorito à vitória na Run For The Roses. Apesar da grande fila dada, durante toda a reta de chegada, encontrou no mesmo Funny Cide um rival intransponível, tendo de se contentar com a segunda colocação.

Poupado do Preakness Stakes (gr.I) – que, igualmente, restou vencido por Funny Cide – Empire Maker alinharia, então, para a conquista de seu principal triunfo. No “ninho” de Robert Frankel (o mesmo cujo sobrenome, anos mais tarde, seria utilizado para batizar um certo filho de Galileo criado pela Juddmonte na Grã-Bretanha), em Belmont Park, foi à forra contra Funny Cide, de quem tirou a tríplice coroa. Com Jerry Bailley “up”, Empire Maker bateu Tem Most Wanted por ¾ de corpo e levantou o Belmont Stakes (gr.I).

No segundo semestre de 2003, haveria tempo, ainda, para um segundo lugar no Jim Dandy Stakes (gr.III), em Aqueduct. Levou a melhor Strong Hope, que pouco tempo depois também viria a se tornar garanhão. Empire Maker teve sua campanha encerrada com 8 saídas e 4 primeiros lugares, com prêmios superando US$ 1,95 milhão.

Via Pioneerof The Nile, Empire Maker apresenta-se no pedigree de American Pharoah.

Imagem: New York Times

No ano de 2004, cumpriu sua primeira temporada como garanhão, na própria seção norte-americana da Juddmonte. Logo na segunda geração, por ele produzida, despontou Pioneerof The Nile, ganhador de G1 aos 2 e 3 anos e, a exemplo do pai, segundo colocado, competindo como favorito, no Kentucky Derby (gr.I). As coincidências entre a dupla, contudo, não param por aí. Pioneerof The Nile precisou, do mesmo modo, de apenas duas gerações para produzir American Pharoah, responsável pelo fim de um jejum de 37 anos sem tríplices coroados, nos Estados Unidos. Atualmente, American Pharoah figura como o garanhão mais valorizado da Coolmore, nos Estados Unidos, e a nível global “perde” apenas para Galileo, no rol de gemas mais valiosas da operação irlandesa.

Além de Pioneerof The Nile, Empire Maker transcendeu sua própria produção, enquanto um “Pai de Pais”, por meio de Bodemeister. Vencedor do Arkansas Derby (gr.I), foi outro que formou a dupla no Kentucky Derby (gr.I), prova essa, contudo, que seria vencida por um filho seu: Dreaming Away, da primeira geração de Bodemeister – a qual fez dele, inclusive, vencedor da estatística de garanhões, nos Estados Unidos, em relação aos nascidos em 2017.

Pioneerof The Nile e Bodemeister são apenas 2 dos 12 ganhadores de G1 resultados de coberturas de Empire Maker. Dos outros 10, talvez nenhum ganhe tanto destaque quanto Royal Delta, ganhadora de duas edições da Breeders’ Cup Ladies’ Classic (gr.I), além de outros 4 páreos de graduação máxima. Suas conquistas, em pista, renderam-lhe mais de US$ 4,8 milhões, em somas ganhas, além de 3 Eclipse Awards (de Melhor Potranca de 3 anos e, por duas vezes, de Melhor Égua Adulta).

Como avô materno, Empire Maker ultrapassa a marca de 40 stakes winners. Separationofpowers (por Candy Ride), vencedora dos Frizette Stakes (gr.I) e Test Stakes (gr.I), colocou as filhas de Empire Maker sob a lupa dos investidores ao ser vendida, em Keeneland, no mês de novembro do ano passado, por US$ 2,1 milhões. Outwork (por Arhch), assim como seu avô, conquistou o Wood Memorial Stakes (gr.I) e atualmente serve na WinStar (estabelecimento que, no passado, contou com os já citados Pioneeorf The Nile e Bodemeister, e atualmente também aloja Always Dreaming).

Além da enorme influência exercida na criação norte-americana, Empire Maker serviu, por 5 anos, no Japão. Lá, produziu 10 black type winners. Um deles, Federalist, serve, atualmente, na emergente criação da Coréia do Sul. No Brasil, Courtier (filho de Pioneerof The Nile), que galga posto de enorme destaque nos primeiros páreos destinado à geração 2017, é quem leva o sangue de Empire Maker adiante.

Abaixo, o replay da vitória de Empire Maker no Belmont Stakes de 2003.

por Victor Corrêa

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